sexta-feira 3 de setembro de 2010
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Andr? de Philippe Minyana

 

André
de Philippe Minyana

Direção Geral Christiane Jatahy
Com Marcela Moura

Participação especial em vídeo EDUARDO MOSCOVIS . JAIME MORELENBAUM

OI FUTURO 27 de novembro de 2007 a 20 de fevereiro de 2008

(JPG)

Pela janela de sua casa, Anne-Laure avista pela primeira vez as costas nuas de um estrangeiro. A visão, tão parcial quanto perturbadora, vai desencadear uma transformação profunda na vida desta mulher. Através de fragmentos de memória, ela irá nos revelar a extensão de sua tragédia íntima e sua dificuldade de ver o outro.

ANDRÉ , texto inédito no Brasil do autor contemporâneo francês Philippe Minyana, parte de uma situação prosaica vivida (e narrada) por uma mulher comum para abordar questões primordiais da existência humana - como o impulso amoroso, o medo da morte e a angústia da solidão. Escrito originalmente para a emissora francesa ARTE.TV e levado ao ar sob a direção de Jacques Renard com a atriz alemã Hanna Schygulla no papel de Anne-Laure, ANDRÉ reflete uma tendência de boa parte da produção dramatúrgica contemporânea: o caráter de obra aberta, que ganha sua completude com a contribuição da equipe de criação de cada montagem.

(JPG) Protagonizado por Marcela Moura, e concebido por ela no decorrer de sua tese de mestrado na UNI-Rio, ANDRÉ, o espetáculo, propõe uma discussão em torno das diferentes formas de apreensão da realidade, e da multiplicidade de pontos de vista e possibilidades narrativas, através da confrontação da presença física da atriz com a virtualidade de imagens projetadas.

Com estréia marcada para o próximo dia 27 de novembro no Oi Futuro, onde fica em cartaz até 20 de fevereiro, ANDRÉ tem direção assinada por Christiane Jatahy, cenografia de Marcelo Lipiani em parceria com a diretora, figurino de Angèle Fróes, vídeo de Batman Zavareze e Fábio Ghivelder, iluminação de Tomás Ribas e trilha sonora de Lucas Macier e Rodrigo Marçal, da Arp.X. Christiane Jatahy parte da reconfiguração espacial do teatro multiuso do Oi Futuro, projetada por ela e Lipiani, para construir sua escritura cênica. Com o palco alvejado como uma folha em branco, posicionado entre duas arquibancadas espelhadas; um corredor de piso igualmente alvo dividindo ao meio as duas platéias, numa extensão perpendicular do espaço cênico; e formatos diferenciados das telas de projeção instaladas ao fundo de cada uma das arquibancadas, a diretora de Leitor por Horas, A Falta que nos Move e Conjugado induz cada espectador a formar a sua própria imagem do espetáculo.

O contraponto entre o dimensionamento radicalmente longitudinal de uma das telas (6m de largura x 1,5m de altura), sugerindo que as imagens de vídeo foram capturadas por uma fresta, e o desenho da outra (4m x 1,5m), que imprime um recorte mais estreito das mesmas imagens, termina de materializar na cena a idéia de que a representação mental que fazemos da realidade é necessariamente parcial, e depende do ponto de vista em que nos posicionamos com relação a ela.

Alternando momentos de puro abstracionismo com flashes mais realistas, as imagens previamente filmadas e trabalhadas por Batman Zavareze e Fábio Ghivelder fundem-se com imagens captadas e projetadas em tempo real pela performer-personagem, compondo três camadas imagéticas: uma primeira, em que a atriz-personagem detém o poder de manipulação das projeções, apresentando seu olhar memorialista, e sempre fracionado, sobre o objeto de sua paixão (André, interpretado na tela por Eduardo Moscovis) e a maneira como ele irrompe em sua vida; outra que funciona como uma espécie de pupila da protagonista, onde ela transforma em imagens os vestígios materiais (re)produzidos em cena durante o relato de suas lembranças; e uma última, em que a narradora se envolve e se confunde com a narrativa, e perde a propriedade sobre as imagens projetadas. Descontínua e pontual (cerca de 15 minutos, em 45 de espetáculo), a inserção das imagens na cena opera uma releitura virtual e poética dos diferentes movimentos do entrecho urdido por Minyana.

(JPG) O AUTOR - Considerado um dos mais importantes autores contemporâneos franceses, Philippe Minyana, nascido em 1946 em Besançon, é co-diretor do Théâtre Dijon-Bourgogne, e, desde 2003, dramaturgo associado ao Théâtre Ouvert. Com mais de 30 peças teatrais escritas, além de óperas e textos para a televisão, Minyana representa uma nova safra de escritores que repensam o lugar da palavra na cena contemporânea e possibilitam a investigação de questões em torno de sentidos ambíguos e móveis, identidades pouco claras e a fragmentação temporal do discurso. Algumas de suas peças mais conhecidas foram incluídas no programa oficial de postulação ao bacharelado em Teatro na França. É o caso, entre outras, de Le Dîner de Lina; Chambres; Inventaires (filmado também por J. Renard); Où vas-tu, Jérémie?; La Maison des Morts e... ANDRÉ. No Brasil, Minyana teve apenas um texto encenado: Suíte 1, por Marcio Abreu, da Companhia Brasileira de Teatro, de Curitiba.

A ATRIZ-IDEALIZADORA - Formada em Teoria Teatral pela UNI-Rio, Marcela Moura iniciou-se na carreira profissional em seu estado natal, Goiás, com a Companhia Martim Cererê, com a qual trabalhou em diversos espetáculos, um dos quais chegou a fazer uma turnê nacional e outra pela França. Radicada no Rio desde os anos 90, trabalhou com Luiz Fernando Lobo em Cemitérios dos Vivos; Enrique Diaz em Cidadão; Hamilton Vaz Pereira em A Ira de Aquiles. No cinema, atuou em O Viajante, de Paulo Cesar Sarraceni, Navalha na Carne, de Neville de Almeida; Vida e Obra de Ramiro Miguez de Alvarina Souza, O Cabeça de Copacabana de Rosane Zwartman; Meu Filho Predileto, de Walter Lima Jr. e Amores Possíveis, de Sandra Werneck. Na Televisão, em Anjo Mau e Quatro por Quatro. Durante quatro anos, integrou a ONG endaBrasil, através da qual dirigiu um grupo de jovens da Complexo da Maré (Grupo Teatro Vivo), em trabalho premiado pela Prefeitura do Rio de Janeiro em novembro de 2002. Em agosto de 2006, esteve em Montreal, a convite da produção do festival de cinema da cidade canadense, representando o filme Entre o Paraíso e Brasília, protagonizado por ela, selecionado para a mostra Regards sur les Cinemas du Monde. O projeto ANDRÉ faz parte do desenvolvimento de sua tese de mestrado na UNI-Rio.

Concepção do projeto e tradução do original : Marcela Moura Cenografia Marcelo Lipiani e Christiane Jatahy Figurinos : Angèle Fróes . Vídeo Batman Zavareze e Fábio Ghivelder Trilha Sonora Lucas Macier e Rodrigo Marçal - ARP.x

 
Publicado sexta-feira 16 de novembro de 2007
Atualizado segunda-feira 26 de novembro de 2007

 
 
 
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